• César Steffen

Aprender a aprender



Não há exatamente um consenso − até onde chega meu conhecimento − sobre como a sala de aula, no formato atual, surgiu. Alguns apontam que foi no século 4 a.C., outros que foi no século 12 d.C., em Bolonha, e outro alinham o formato à reprodução da estrutura das primeiras fábricas na revolução industrial. Mas essa precisão pouco importa agora, pois o ponto aqui é destacar que o formato de ensino e de sala que ainda hoje adotamos nos acompanha faz alguns séculos.

Conta a história que Platão, Sócrates e outros ensinavam sem regras nem formalidades, cercados daqueles que desejavam ter contato com seu saber. Sem classes, sem a hierarquia que marca a sala de aula atual. E a transmissão era totalmente oral ou através de experimentos − não havia classes, provas nem a obrigação de aprender. Ia quem desejava adquirir conhecimento e tinha tempo para isso.

Interessante observar que a palavra “escola” deriva do grego “scholé”, “lugar de ócio". Isso porque as pessoas iam à escola para refletir e aprender em seu tempo livre. Quem queria e tinha tempo livre.

Esse modelo de escola que nos acompanha até hoje sempre investiu na hierarquia, com um professor detentor do conhecimento que falava, de pé, não raro até mesmo em um tablado ou púlpito superior, para aqueles que não detinham o conhecimento, os alunos − nada a ver com o mito de que aluno seria alguém “sem luz”, pois a real etimologia da palavra está ligada ao latim alumnus, aprendiz.

Autonomia


Mas, em tempos de informação livre e acessível a poucos toques no teclado, no mouse ou na tela, o conhecimento chega ao estudante das formas mais variadas e nos formatos mais diversificados. Basta, claro, saber o que se pesquisa e, principalmente, filtrar e observar a qualidade do que está chegando.

Então, como fazer, como lidar com essa variedade, essa amplitude e essa facilidade de acesso em um ambiente de ensino − do fundamental ao superior − que historicamente investe na dependência de um professor e na pouca ou nenhuma autonomia do aluno?

Sem dúvida, a grande barreira para a EAD nas séries iniciais − e que faz com que as escolas com aulas suspensas precisem tanto dos pais para acompanhar as atividades − é a questão da autonomia. O aluno criança não está preparado para gerir todas as suas atividades, em casa, na frente de um computador. Nem manter o foco no que a professora − a detentora do conhecimento − deseja.

Então, alguém precisa estar ali auxiliando, ajudando a organizar e a manter o foco, “segurando o rojão”, como diz a expressão popular. E essa falta de autonomia chega até a faculdade, gerando muitas vezes um profissional que sabe muito de sua área, mas não está necessariamente pronto para reaprender.

Orientador


Ter autonomia significa, em termos de educação, saber buscar o conhecimento e o aprendizado. Saber fazer e construir por si e para si, construindo uma relação onde o professor deixa de ser o centro, o detentor do conhecimento e assume um papel de facilitador, de orientador. O aluno busca, pesquisa, testa, experimenta, é corrigido e assim constrói seu conhecimento.

Esse modelo já é aplicado com bons resultados em várias escolas europeias, até mesmo em séries iniciais. O sistema de ensino da Finlândia, inclusive, é orientado por metodologia de resolução de problemas, eliminando totalmente o conceito e a ideia de disciplinas ou áreas de conhecimento.

Assim, a EAD gera, além do conhecimento, uma maior autonomia, um aluno mais independente e mais preparado para aprender a aprender − o grande desafio dos profissionais do século XXI em adiante.

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