• Demétrio Weber

Ações para salvar a educação na pandemia



A covid-19 provocou o fechamento das escolas, levou redes de ensino a oferecer aulas remotas e expôs a exclusão digital e outras desigualdades no Brasil e no mundo. Em paralelo ao isolamento social, às hospitalizações e mortes de milhares de doentes e à perda de empregos, mudou por completo a maneira como crianças e jovens estudam, criando enormes desafios para gestores, professores e alunos de escolas públicas e particulares.


Nesse contexto, como será a retomada das aulas presenciais?

Em busca de saídas, o Todos pela Educação, uma organização sem fins lucrativos que atua em defesa da democratização e da melhoria da qualidade do ensino, foi atrás da experiência de países que já enfrentaram situações-limite, como pandemias, desastres naturais e guerras. O estudo aponta estratégias que podem ajudar o Brasil a lidar com os impactos educacionais da covid-19.

A presidente-executiva do Todos, Priscila Cruz, falou sobre o tema no último dia 9, em webinário da Fundação Getúlio Vargas. Ela destacou os seguintes pontos:

- Comunicação: gestores e professores devem criar canais de comunicação com os alunos e com suas famílias. É preciso agir com transparência, estimulando a participação de toda a comunidade escolar.

- Intersetorialidade: a educação é um pilar da reconstrução, mas os agentes educacionais sozinhos não darão conta de resolver todos os problemas. É preciso envolver e atuar em parceria com outros setores, como saúde, economia e assistência social.

- Gestão pedagógica: é preciso reorganizar as escolas e o ensino, isto é, definir prioridades e agir no sentido de manter o vínculo com os estudantes, ir atrás de quem não retornar à escola e garantir a aprendizagem.

- Avaliação diagnóstica e recuperação: o ensino remoto não chega ao conjunto de alunos da mesma maneira. Logo, os estudantes apresentarão diferenças de aprendizagem na volta às aulas. Para ter clareza disso e traçar estratégias de recuperação e reforço escolar, é necessário realizar uma ampla avaliação diagnóstica.

- Saúde mental: a pandemia afeta a saúde mental de todos. As redes de ensino, contudo, devem cuidar primeiro da saúde dos professores, já que eles estão na linha de frente, em contato direto com os alunos.

- Tecnologia: a tecnologia ganhou protagonismo inédito durante a quarentena, mas deve ser encarada como complemento da relação ensino-aprendizagem e não como substituta do ensino presencial. As soluções tecnológicas devem ajudar as escolas principalmente nas atividades de reforço e recuperação dos estudantes.

"São coisas fáceis de ser ditas e difíceis de ser colocadas em prática", afirmou Priscila, acrescentando que a retomada das aulas presenciais pode servir para que as escolas deem um passo à frente em relação ao período pré-pandemia. "A gente não precisa voltar para a educação que a gente tinha. Vamos aproveitar este momento para construir uma nova educação, que sirva de porta, um portão gigante de oportunidades, para essas crianças e esses jovens."

Confira aqui o levantamento internacional do Todos pela Educação.

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